A certeza da probabilidade infinita de uma improbabilidade finita incerta [18.05.2012]

Havia um lugar incomum no qual as leis da física não se aplicavam. O chão, se é que existia um, encontrava-se na parte superior daquele espaço incompreensível. As construções, em sua maioria exótica, permaneciam fixas ao “teto”. Era possível caminhar entre elas, mas certa quantidade ínfima de gravidade exercia uma atração para o lado contrário. Resultado: toda a arquitetura permanecia no “céu”, de cabeça para baixo. Mas com um pouco de esforço e impulso adequado, flutuar era uma realidade. Confuso? Não para seus habitantes.

Os seres propriamente ditos não costumavam comunicar-se entre si, visto que possuíam uma espécie de consciência coletiva – quando um deles pensava em algo, imediatamente todos os outros recebiam a mesma informação. Sua constituição física oscilava entre os quatro estados da matéria, mas a forma de plasma permanecia por mais tempo.

Apesar de sua estranhíssima organização molecular, eram capazes de gerar alta tecnologia a partir da junção de átomos específicos (ou mesmo ao acaso). Mesmo assim, por mais estranho que possa parecer, desconheciam o que denominamos “organização”. Conviviam diariamente com incertezas e eram regidos pela teoria do caos.

Imagine a surpresa e espanto daquela “unidade” ao descobrir que, após muitos anos de incertezas, uma de suas criações continha um motor interestelar, capaz de viajar na velocidade da luz. Era improvável que alguém viesse a deixar aquela dimensão algum dia, mas como a própria probabilidade não se aplicava a eles foi permitido que a improbabilidade seguisse seu fluxo. Assim, aconteceu.

Sua dimensão se retorceu, esticou e retesou. E, como se fosse um estilingue, arremessou o módulo espacial para fora de seus domínios.

A espessa “gelatina” que impermeabilizava o módulo se desfez por completo. O solavanco e a transposição de dimensões causaram-lhe mutações temporárias, mas sua consciência permaneceu intacta. Tentava compreender o novo universo tridimensional ao seu redor. Havia aquele sentimento estranho de movimento, mesmo que não saísse do lugar nem um milésimo de milímetro. Era efeito de um sistema regido pelo tempo.

O mais estranho é que parecia lembrar-se vagamente daquele universo regrado. Tentou conectar-se às outras mentes, mas o elo que as interligava já não existia mais. De repente sentiu-se só e desamparado. Não estava acostumado à palavra “singular”. Vivia no “coletivo”, no plural. Então, de súbito, a nave iniciou uma descida vertiginosa em um planeta próximo. A gravidade estava cumprindo seu papel, mesmo que para ele fosse algo desconhecido. O satélite natural daquele planeta se aproximava. Em seguida, foi arremessado em direção a ele.

Um ponto luminoso pôde ser observado atravessando velozmente a atmosfera daquele satélite. Novamente sua dimensão se retorceu, esticou e retesou. O módulo fez um pouso forçado na incompreensível superfície que se estendia por todos os lados. O chão, se é que existia um, encontrava-se na parte superior daquele espaço incompreensível. As construções, em sua maioria exótica, permaneciam fixas ao “teto”.

Um dos habitantes, ao longe, acompanhava atentamente todo o evento ocorrido.

Imagine a surpresa e espanto daquela “unidade” ao descobrir que, após muitos anos de incertezas, uma de suas criações continha um motor interestelar, capaz de viajar na velocidade da luz. Era improvável que alguém viesse a deixar aquela dimensão algum dia, mas como a própria probabilidade não se aplicava a eles foi permitido que a improbabilidade seguisse seu fluxo. Assim, aconteceu.