A mais curta história de ficção científica III [07.08.09]

dormitorioEra uma noite tranqüila no dormitório espacial ISS-VII. A palavra “tranqüila”, nos últimos anos do século 22, significava uma noite sem tempestades elétricas. O radar interno indicava apenas o pulsar constante das estrelas próximas. Era uma ocasião perfeita para contar uma história para os filhos antes de dormir.

-… Chapeuzinho levava seus doces para vovó, quando…

– Pai, Espera! Já conheço essa história, mas ela é sem noção, veja bem… O lobo usou um atalho para chegar até a casa antes. Mas como isso é possível, se uma clareira ou estrada na floresta é o caminho mais curto? E ela? Veio de onde? Apenas menciona que ela já apareceu com os doces no caminho. Foi tele-transporte? E se Chapeuzinho estivesse com suas conexões neurais em dia, teria percebido logo que era o lobo. E, olha só, um lenhador chega na hora certa para salvá-la. Acho que tudo isso já estava combinado previamente. Talvez a vovó tivesse deixado um testamento com seus bens, (incluindo a floresta) e planejaram ficar com a riqueza usando o lobo como “lobo expiatório”. Talvez ele também estivesse no plano. Jogariam a culpa nele, Chapeuzinho ficaria rica e dividiria um pouco com o lenhador, seu cúmplice, pagando a fiança do lobo posteriormente e lhe dando uma recompensa em dinheiro pelos serviços prestados. Chapeuzinho viveria feliz para sempre… E rica…

– Zzzzz…

– Pai? Ah… Dormiu… Esses adultos de hoje em dia…

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