Invenções da Humanidade – A Saga [23.12.10]

Dizem que a humanidade em seus primórdios era muito criativa. Como sei a respeito? Bem, há um relato que sobreviveu ao tempo, escrito por nada mais nada menos que o homem mais famoso de todos os tempos, a grande mente por trás de todas as maiores invenções da pré-história e do mundo moderno. Seu nome?

Não sabemos. Ele nunca disse. Talvez em seus inúmeros lampejos criativos nunca lhe ocorrera que para um nome entrar para a história, ele primeiro deveria ser dito. Há um arquivo contendo fragmentos de seus feitos (já publicados em alguns veículos de comunicação, em partes separadas), mas nada se compara a este que agora temos em mãos, o qual nos foi enviado por meios misteriosos e dentro de uma esfera cilíndrica transparente e azulada. Estranho? Espere até ver o que está escrito no interior…

(…)

A humanidade em seus primórdios era… Bem você já sabe. Onde estávamos? Ah, sim. Havia um gigante. Uma horta constantemente destruída por este gigante. Uma música. Um templo em ruínas. Um homem. Um travesseiro ortopédico, um cartão de credito, uma bola de futebol, insônia e um tiranossauro. Um tiranossauro?

O homem se encolheu no canto de sua moradia improvisada e aproveitou para anotar uma idéia que surgira na hora (banheiro portátil). Lá fora ouviu um breve, porém alto, assobio e notou que o monstro abanara o rabo e baixara a cabeça, indo ao encontro do gigante de uma forma saltitante e feliz. Feliz como as melancias de sua horta ficaram: abertas, esmagadas no meio e com um sorriso de um lado ao outro.

Mas tudo isso já fazia parte do cotidiano do homem, por isso resolveu não fazer nada (como não havia feito nas outras duzentas e noventa e oito vezes). Seus dias realmente começaram a mudar quando percebeu que uma luminosidade estranha no céu aparentava ficar maior a cada dia. Já ouvira falar muito de estrelas cadentes por meio de seus antepassados. Sabia que traziam maus presságios. Ainda mais se caíssem ali, em cima de sua nova casa. O que seus antepassados fariam em uma hora dessas?

Resolveu ir perguntar, afinal, seus antepassados moravam ali perto. Eles saberiam o que fazer e aproveitaria para solicitar algumas dicas sobre agricultura, cultivo de hortas e extermínio de pragas, como gigantes e dinossauros. Se tivesse alguma idéia no meio do caminho, teria de guardar em algum canto de sua mente, pois seu caderno de notas era a própria parede da caverna. Quanto a isso não teria problemas. Sua mente possuía vários cantos vazios, outros com teias de aranha e poeira, e um com sofá e mesinha de petiscos, reservado somente para amigos.

Juntou suas coisas e partiu. Conferiu se a bola e o cartão de crédito estavam em seu protótipo de mochila (pois não saberia quando precisaria de um ou de outro novamente, ainda mais nestes dias difíceis onde não se encontrava mais troco para cem). Parou e verificou para que lado o vento estava soprando. Isto ele fez somente porque era legal; não faria diferença nenhuma.

O caminho era longo: após descer a montanha, deveria atravessar a floresta, passar por uma região deserta, nadar por um gigantesco lago e finalmente subir outra montanha. Um dia ainda inventaria algo que auxiliasse a humanidade a transpor distâncias como essa de uma forma mais rápida, prática e confortável.

Algo com rodas, encostos confortáveis e um item que indicasse o caminho mais fácil. Talvez com espaço para quatro pessoas. Ou então, algo prateado, brilhante e lustroso. Com visual aerodinâmico e que também pudesse levantar vôo, com quatro gigantescas turbinas de fusão atômica rentes ao chão.

Infelizmente, alguém já havia executado esta idéia e era exatamente isso o que ele via no momento. Na região plana, perto da praia onde ele morava antigamente, estava uma nave espacial semelhante a um “U” invertido (mesmo sem ter a mínima idéia do que significa um “U”).

Surpreendeu-se ao ponto de deixar a bola cair. Devido à gravidade e à inércia (coisas que gostaria de ter inventado, mas o universo tinha sido mais esperto), a esfera ganhou velocidade ao descer a montanha e partiu de forma incontrolável em direção a nave. No meio do caminho, uma família de suricatis gigantes pôs-se de pé, para meter medo no objeto que se aproximavam velozmente de seu habitat. A bola não aparentou estar com medo e continuou.

Instintivamente, o homem pensou em gritar uma palavra (”Strike!”) e amaldiçoou não ter trazido as paredes de sua casa consigo para anotá-la. A esfera prosseguiu até atingir a estrutura lateral do estranho veiculo prateado. Um onipotente ser, de aparência translúcida e alta, retirou a esfera que estava cravada na porta e indagou seu superior:

– Ô, Mike! Você disse que não havia vida inteligente neste planeta!
– O que encontraste, ó meu nada sapiente assistente?
– Uma esfera trabalhada, com gomos.
– Hum. Isto confirma minha suspeita. Foram os dinossauros ou os gigantes que encontramos. Ou foram os gomos que fizeram a esfera de dentro para fora. Nada mais poderia ter criado isso.
– Talvez uma nova forma de vida?
– Improvável. Ainda mais com aquele meteoro prestes a cair em um mês e exterminar toda a vida conhecida.

O homem ouvia tudo atentamente, mas não conseguia acreditar. Então, aquela estrela iria cair mesmo e acabar com todas as suas invenções e o restante do planeta (não necessariamente nesta ordem)? Ele tinha de fazer algo, avisar alguém ou inventar alguma coisa.

Não fez nenhuma dessas três coisas, pois foi capturado por um dos exploradores. A nave partiu, deixando um rastro de poeira para trás. Curiosamente a poeira levantada irritou os olhos dos gigantes, deixando-os quase cegos (até porque possuíam somente um olho) e fazendo com que todos tropeçassem em seus tiranossauros de estimação, para logo em seguida caírem em cima de suas casas e estragarem suas plantações.

O homem começava a gostar daqueles estranhos seres.

CONTINUA…

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