Invenções da Humanidade – A Saga (III) [01.01.11]

Após uma longa e nada produtiva conversa, incluindo a típica pergunta “será que vai chover?”, o homem sentiu-se à vontade para fazer a mais importante de todas as perguntas. Antes disso parou alguns minutos para pensar na pergunta ridícula que havia feito sobre chuva. Era óbvio que não chovia no espaço sideral, pois lá não havia atmosfera.

– Tem carvão aí? – perguntou.

O ser quase se arrependeu ao ver o homem riscando suas paredes. Ao terminar sua obra de arte, relaxou. “Estudo dos astros e do universo – dar um nome”, pensou. Para o alienígena não passavam de riscos reluzentes no casco da nave (nave muito cara, por sinal). Só era possível identificar sete traços malfeitos e uma esfera oval em cima. Provavelmente significavam uma casa e o Sol. Mas qualquer criança de cinco anos faria muito melhor. Podia até ser o ovo de uma galinha em um ninho… Ou um prato com talheres. O fato é que parecia qualquer coisa que somente o homem compreendia.

A próxima pergunta o pegou desprevenido.

– Como faço para impedir nossa extinção? – homem.
– Antes de lhe responder, deixe eu lhe mostrar um registro interessante que recolhemos há um tempo atrás em nossos estudos científicos, o qual pesquisamos a intensidade e comprimento de luzes emitidas por uma estrela desconhecida, desde seu nascimento até sua morte. Havia uma raça que quase foi extinta devido a uma catástrofe natural, mas sobreviveram. Depois de se proliferarem, devastaram o planeta duas vezes. Quando este se recuperou, começou a ser destruído novamente por falta de cuidados. Após muito tempo, quando já haviam descoberto as viagens espaciais, colonizaram outros planetas e se aniquilaram mais umas cinco vezes.

– Que falta de criatividade! – homem.
– Pois é. Estes são os seus descendentes. – All.
– Mas hein? – homem.
– All! Nossa missão é confidencial! Não devemos revelar nada que possa afetar o futuro, esqueceu? – Mike.
– Sim, Mikallarus Kendrassekar. Todo aquele blá, blá, blá de efeito borboleta, efeito hipopótamo, teoria do caos, teoria do pão com doce em cima, que teima em sempre cair com o doce virado para o chão, teoria da atração do dedo mindinho do pé com quinas de móveis, etc e etc. Eu passei, lembra? – All.
– Ih, chamou pelos dois nomes. O último que me chamou assim está no cemitério. – homem.
– Você o matou? – All.
– Não. É o coveiro. Parente distante. – homem.
– O caso é: somos proibidos de alterar a história, o curso dos eventos, o contínuo espaço-tempo. – All.

O homem, além de criativo, também era inteligente (às vezes). Se eles estavam proibidos de alterar a história, significava que detinham esse poder, só não podiam usá-lo.

– Certo. Mas você não acabou de mudar a história me contando sobre isso? E se eu voltar à Terra de posse destas informações? – homem.
– Bem… – All.
– Porque ele é um imbecil! Agora vamos ter que levar o espécime conosco! – Mike.
– Certo. Posso ir também, junto com esse tal de espécime? – homem.
– … – All.
– E quem diria que vocês se tornariam a raça mais temida de todo o universo? – Mike.

Suspirou profundamente… A nave da classe Merkava acabava de acionar os motores de dobra espacial…

(…)

A temida bomba estelar ainda deixava rastros de destruição por onde suas intensas ondas tocavam. Seu poder destrutivo era tão grande que ocasionava distorções na linha do tempo e nas dimensões conhecidas. O mais incrível nisto tudo era que essa bomba ainda não existia. Ela seria criada dali alguns milhares de anos, mas seus efeitos já podiam ser sentidos (assim como o brilho de estrelas podem permanecer por muitos anos após a estrela ter se extinguido). Um paradoxo? Com certeza.

Agora pense um pouco. Quem teria criado tal artefato?

Exato.

O que seres estranhos pretendiam coletando “amostras” de cada planeta e salvando espécies em extinção, catalogando-as em sua “arca espacial”?

Exato.

Não entendeu nada? Volte ao início do parágrafo e leia tudo novamente. Irá entender, com certeza.

Ainda não entendeu? Neste caso recomendo uma barra de chocolate, uma caminhada tranqüila e quem sabe, uma visita ao planeta Terra.

(…)

– O que foi isso? – homem.
– O som de uma explosão? Épsilons. – All.
– Como? – homem.
– Épsilons. Quase Ipsilons, uma letra grega. Fica bem depois de Alfa e bem antes de Zeta. Mike!! Temos companhia! – All.

Os Supervisores eram rígidos quanto a “itens” fora do inventário e principalmente com “itens” que poderiam arruinar completamente o curso da história. Não eram guardiões do tempo, mas guardiões da ordem do cosmos, da ordem universal e… Detestavam o que faziam.

Era muito chato catalogar tudo e cuidar para que uma gota de orvalho do planeta Sigma não gerasse uma reação em cadeia que culminasse na destruição do universo conhecido, mesmo que isso fosse algo muito absurdo para acontecer.

Quando o Supervisor entrou na nave dos Chandrassekarianos e viu que um deles conversava com um espécime terrestre, sentiu algo equivalente a um calafrio. Mas também poderia ser a despressurização. Ou então fora aquele iogurte vencido que experimentara na semana passada. Recuperou-se e falou, em tom firme.

– Vocês têm consciência do que estão fazendo? – Supervisor.

A bola parou aos pés de All.

– Eles chamam de Futebol!

O Supervisor sentiu uma leve dor de cabeça, que logo se transformou em uma insuportável dor de cabeça, pois suas mentes eram compartilhadas entre todos de sua espécie. Mais ainda quando a bola acertou o que parecia ser sua testa.

– Bem… Por onde começo? – Mike.

(CONTINUA…)

Anúncios

Agradeço o comentário!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s