Invenções da Humanidade – A Saga (IV) [02.01.11]

– Pergunto novamente: vocês têm consciência do que estão fazendo? Quem autorizou trazer um espécime terrestre com vocês? – Supervisor.
– É que… Eu acabei revelando nossa missão. Achamos melhor trazê-lo conosco. Seria menos perigoso. – All.
– Vocês são… Como diriam os humanos, muito “burros” (mesmo que a paca não emburre). A história já foi alterada. A mera presença deste ser aqui indica isso. – Supervisor.
– Não compreendemos.
– Nem eu. – homem.
– Aguardem. Minha casta está me encaminhando os dados. – Supervisor.

O Supervisor parecia estar dormindo, mesmo que seus três olhos esguios permanecessem abertos. A transferência de dados entre múltiplas mentes distantes milhares de anos-luz umas das outras, se tornava um processo demorado.

– Já ouviram falar em cartão de crédito? – homem.
– Para que serve? – All.
– Você pode ter o que desejar apenas apresentando este item ao vendedor. Obviamente há um limite do valor que pode ser gasto. Para recarregá-lo eu cobro uma pequena taxa sobre o valor requerido, mas é pequena. Sempre que acabarem os créditos, basta vir até mim e solicitar a recarga. – homem.
– Mas não vai sair mais caro para mim cada vez que lhe pedir para recarregar? – All.
– Mas pense nas vantagens que você terá a disposição… – homem.

Aquela conversa se estendeu por mais ou menos uma hora e a humanidade acabava de inventar o primeiro protótipo de telemarketing.

Um dos olhos do Supervisor piscou. Logo em seguida, os outros dois. O “download” de informações estava concluído.

– Ok. Onde estávamos? – Supervisor.

A bola acertou-lhe novamente a testa.

– Lembrei… Infelizmente. – Supervisor.
– Certo. Agora nos diga como a história já havia sido alterada, mesmo com todo o cuidado que temos. – Mike.

“Haverá uma época em que a mente tecnológica da humanidade será capaz de transcender o tempo e o espaço. Como resultado de suas pesquisas, criarão uma máquina capaz de distorcer a linha do tempo e impedirão a extinção que está para ocorrer. Mas como se gasta muita energia cósmica para fazer isso, a viagem será só de ida. O cálculo não será tão preciso e o homem cairá na Terra muitos séculos antes deste meteoro iniciar sua jornada. A equipe criará um laboratório cientifico e aguardarão ansiosamente. Sem ter muito o que fazer (e sem televisão), começarão a ter filhos, que com o tempo irão deixar os traços científicos e tecnológicos para trás.”

– Por que acham que há humanos na pré-história? Por sorte, o meteoro ainda está para cair. Tenho certeza de que a criatividade humana não tem limites. Os cientistas devem ter deixado algo para trás, ou que despertaria justamente nesta época. Sua nova missão é voltar à Terra e descobrir o que irá impedir a extinção. – Supervisor.

O homem ouvia tudo atentamente e ainda procurava assimilar a informação de que era descendente de seus filhos. Isto com certeza ocasionava um nó no cérebro. O homem apenas se certificou de que o nó estava bem amarrado e deu-lhe mais uma volta. Pois se desamarrasse à toa, podia tropeçar e cair.

– Então, a humanidade deverá ser extinta? – homem.
– Não. Somente vocês. – Supervisor.
– Ah, que alívio… – homem.

All começava a ficar com pena do homem. Tinha se apegado a ele, exatamente como se apega a um animalzinho de estimação. Iriam permanecer apenas a bola e o cartão de crédito, que vinha com um exclusivo bônus de adesão e a chance de concorrer a um peixinho dourado das profundezas.

Pausa para explicação.

Os peixinhos dourados das profundezas eram raros e possuíam uma incrível tonalidade dourada (quem o visse de longe, diria ser uma pedra de ouro bruto). O homem havia descoberto sua existência por acaso.

Certo dia, quando saiu para pescar, notou que as ondas do mar recolheram-se violentamente. Ele sabia o que estava por vir. O homem podia não entender de tecnologia na época, mas entendia muito bem quando a natureza levantava uma placa bem grande com os seguintes dizeres: “Aí vem um tsunami. Corra ou morra. A rima vem de brinde.”

Subiu às pressas a montanha e parou para observar. Não era um tsunami. Era apenas o peixinho dourado das profundezas bebendo água. Raramente ele subia à superfície, mas quando subia, ficava o dia inteiro se refrescando no mar. Nestes dias ocorria um pequeno eclipse, visto que o peixinho dourado das profundezas media meros cem quilômetros de largura por cinqüenta quilômetros de altura. Era muito dócil. Se não tivesse o tamanho da praia inteira, com certeza o homem o colocaria em um aquário e o levaria para casa.

Para seres que catalogavam espécies, com certeza seria um belo prêmio, pensou (mesmo que para isso tivessem de construir uma nave cinco vezes maior, mas isso já não era problema seu).

Fim da explicação.

(Continua…)

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