Invenções da Humanidade – A Saga (V) – Final [12.01.11]

Os antepassados do homem quase morreram de susto (literalmente) ao presenciarem a descida daquela gigantesca nave em seu quintal. O homem pensou em gritar “cuidado com a horta!”, mas já era tarde demais.

Uma pequena abertura surgiu na superfície polida da nave. O homem desceu e logo atrás surgiram seus novos e esguios amigos. O fato mais curioso nisso tudo foi que seus antepassados não se apavoraram nem um pouco.

– Ceifadores! – exclamaram.
– O quê? – homem.

Todos foram convidados para tomar um chá com bolacha em sua residência antes de começarem as explicações. O chá teria sido mais agradável se já houvessem inventado o açúcar. Seus antepassados explicaram que ouviram algo de seus avôs sobre uma raça superior que visitava a Terra de vez em quando e recolhia amostras (seres vivos) para serem cultivados em suas estufas. Basicamente uma agronomia alienígena. Mas seus supervisores nunca lhe davam folga ou férias, muito menos fundo de garantia ou seguro desemprego. Eram apenas peões de um jogo de xadrez, agricultores que possuíam um patrão ingrato, que não cedia nem um pedaço das terras de sua “fazenda”.

Os Ceifadores entraram em um estado que podia ser chamado de meditação, mas com a diferença de que suas mentes permaneciam interligadas. Neste estado seu raciocínio triplicava as conexões neurais e os juízes de sua raça tomavam atitudes baseadas em uma opinião singular. Às vezes alguém pensava em uma praia, ou mesmo em alguém do gênero oposto, ou nos dois, mas logo voltavam à questão principal, pois com todos os pensamentos conectados era inevitável que todos soubessem o que havia acontecido naquela madrugada de sábado nas praias de Sirius Beta.

Foi a primeira vez que o homem percebeu uma leve “risadinha” na face dos alienígenas. Retiraram o contrato de seus bolsos (onde quer que ficasse isso) e leram as letras miúdas pela primeira vez:

-/-/-

Os Ceifadores concordam em cultivar cada planeta e nos trazer a colheita sem questionar. Estão proibidos de afetar o curso do tempo ou criarem teorias absurdas, tais como:

Os Supervisores desejam manter sua supremacia universal e não admitem que outra raça tenha a audácia de conquistar o espaço, por isso irão criar uma bomba tão potente que exterminará esta raça por completo e ainda colocarão a culpa nela pela bagunça desgraçada que será ocasionada ao cosmos. Sobrará para os Ceifadores limparem toda a sujeira e catar os pedaços restantes do sistema solar espalhados por aí.

Este é o exemplo de uma teoria absurda. Caso você não a envie para mais cinqüenta pessoas, o monstro devorador Quasar irá roubar seu cérebro enquanto estiver dormindo. Quando acordar não saberá nem onde está, muito menos o que significa saber onde se está (neste caso este contrato ainda continua valendo, pois você o assinou com a mão e não com o cérebro).

Enfim, como somos um povo esperto, já havíamos nos preparado para isso. As providências já foram tomadas enquanto você lê isso. O meteoro atingirá a Terra em poucos dias e vocês serão eliminados juntos. Nem tentem contatar suas “mentes distantes”, pois saberei onde se encontram e exterminarei o restante de sua raça. E espalharei o que vocês costumam fazer nas madrugadas de sábado nas praias de Sirius Beta.

Isto estava escrito aqui o tempo todo. Se assinou sem ler, que culpa eu tenho? Aproveitem bem o último pôr-do-sol. Após isso, será uma Era do Gelo.

Ainda lendo? O problema é seu. Quer ouvir uma piada? Como um matemático come um x-burguer? Come somente o “burguer”, para isolar o “x”.

Você é insistente, hein? Deixem-me pensar… Ontem meu cachorro encontrou um disco dourado e reluzente vindo de um planetinha insignificante. Deve servir para alguma coisa ou conter uma mensagem de outra raça. Só sei que serve como um ótimo escoro para livros.

-/-/-

Se o homem, ao encontrá-los, apenas pensou que fossem burros, agora tinha certeza. E descobriu que o burro empaca porque é inteligente. Burro é quem fica tentando tirá-lo do lugar. Talvez faça isso apenas para se divertir, ou mostrar porque a paca não emburra, pois se emburrasse, o burro empacaria apenas para mostrar que emburrar não faz ela empacar, a menos que a paca fosse burra. Mas daí o burro empacaria porque ela seria uma burra, não empacada. Mas acabaria emburrada por não ser identificada como uma paca. Quando descobrisse isso, o burro empacaria e ficaria emburrado por não ter percebido antes. A paca ficaria sem adjetivos e iria embora.

Neste ponto, alguns escritores iriam enrolar os leitores e segurá-los até o final, forçando-os a lerem passagens desnecessárias ou chatas apenas porque, de forma subliminar, conseguiram implantar em seus subconscientes as perguntas: O que irá acontecer agora? Como resolverão isso? O que acontecerá no final?

Pouparei o leitor disso e partirei para o pós-final.

(…)

O meteoro caiu, os gigantes foram exterminados, a fauna e flora destruídas e a Era do Gelo se abateu sobre a Terra. Os humanos? Sobreviveram. Graças à gigantesca nave dos visitantes, calefação, frutas hidropônicas, DJ’s e muita, mas muita festa, durante séculos. Isto acabou criando um irresistível gene de preguiça na humanidade, que afeta todos até hoje.

Os Supervisores desistiram de manter a ordem do universo, o que era muito chato, e acabaram em uma casa de repouso em Andrômeda jogando dominó, xadrez e bingo. Reza a lenda que o último que conseguiu completar os números do bingo comemorou soltando fogos de artifício (uma estrela aqui e outra acolá). A casa de repouso quase foi parar dentro de um buraco negro. Desde então, só distribuem fichas que contém números que não serão sorteados.

(…)

Hum… Falta algo. Ah, sim! O que estava escrito na esfera que recebi? Lá dizia:

“Parabéns! Você foi aprovado pelo nosso rigoroso processo de seleção e indicado como potencial vencedor do grande prêmio final! Para ter a incrível oportunidade de ganhar este magnífico prêmio, cole o adesivo A na carta B e guarde-a no envelope C, junto com a chave D. Não perca esta chance! Caso desista de concorrer ao grande prêmio, envie o envelope marcado com NÃO, dentro do envelope E, marcando a opção F.”

“Ou não faça nada disso, pois continuaremos enviando esta promoção todos os meses de qualquer maneira! Não perca a grande chance de ganhar um peixinho dourado das profundezas zerinho, só para você!”

Comentários de quem já tirou a sorte grande:

“O peixinho dourado das profundezas mudou minha vida. Em todos os sentidos! Primeiro não sabíamos se ele ficaria no quarto de meu filho ou da minha filha. Mas no final acabamos decidindo colocá-lo aqui pertinho, no Oceano Atlântico, onde todos poderiam vê-lo de uma distância segura – algo em torno de quatrocentos quilômetros.”

“Faça como a Dona Maria! O próximo ganhador pode ser você!”

(…)

Qual foi o destino dos Ceifadores? Bem, eles sempre diziam que preferiam desaparecer a revelar o que faziam nas madrugadas de sábado nas praias de Sirius Beta. Pelo visto alguém acabou descobrindo… Nunca mais foram vistos.

E o que aconteceu à bomba estelar? Não sei, mas ontem enquanto dormia, notei que a esfera estava piscando de uma forma bem estranha. Uma luz diferente de tudo que já vi. De arrepiar… Mas, quem se importa? Todo o planeta Terra? Mas eu disse alguma vez que sou de lá?

(P.S.: As aventuras da humanidade continuam, mas em histórias isoladas).

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