Resenha: Nós, Os Marcianos

asimov_nos_os_marcianosTítulo original:

The Martian Way and Other Stories, 1955.

Conteúdo:

1) Nós, Os Marcianos;
2) Nas Profundezas;
3) Mocidade;
4) Armadilha

Opinião:

1) A primeira história lembra muito o estilo dos contos da Fundação, com a Terra sendo indiferente aos problemas externos e ressaltando as características egoístas do governo. Apesar do tom pessimista e crítico, é notável que se aproxime muito da realidade. Os humanos em Marte foram muito inteligentes e, no final da noveleta, um estranho sentimento surge no leitor, mesmo habitando o planeta descrito na vida real. Algo que inexplicavelmente lhe faz exclamar junto com o personagem principal: “Bem feito!”.

2) O segundo conto é uma leitura rápida. Particularmente não gostei muito. Apesar do pano de fundo ser interessante (criaturas habitando o interior da Terra há milhares de anos), achei meio sem objetivo os seres buscarem uma forma de subir, sendo que sua missão original foi se esconder do Sol que condenaria o planeta em bilhões de anos. Também foi colocada uma espécie de romance alienígena no início e no fim que não deu em nada. Para mim, este conto deveria ser mais explorado (ou partes foram cortadas pelo editor). Pelo visto, a capa foi baseada neste conto.

3) O terceiro conto é divertido e um pouco confuso ao inverter os papéis. Aqui, o pano de fundo é grande e extenso, mas sabiamente utilizado apenas em pequenas doses. De certa forma até esperava o final proposto, mas no meio da história o próprio autor já revela a surpresa e o restante se resume a um estudo de comportamentos. Lembra muito os seriados antigos Terra de Gigantes e Viagens de Gulliver.

4) O quarto e mais interessante de todos os contos, trata-se da descoberta de um novo planeta habitável, com dois sóis. É enviada uma equipe composta por vários especialistas, junto com um garoto especial que nunca esteve em uma viagem dessas. A primeira expedição àquele planeta morreu de causas desconhecidas, cabendo à nova tripulação descobrir se é possível colonizá-lo ou não. O garoto, um dos personagens principais, possui a incrível habilidade de arquivar qualquer dado, quase um computador humano. Isto o torna um indivíduo curioso, mas que não pode se aprofundar em nenhum assunto. Um psicólogo sempre o acompanha. Essa junção de relevâncias e coisas aparentemente inúteis é que o levam a descobrir a resposta. Parece-me um princípio do que viria a ser a psico-história nos livros seguintes dele.

Veredicto:

Uma ótima coletânea de contos “comuns” do Asimov. Mostra bem seu estilo imaginativo e um pouco de sua personalidade nas entrelinhas. Não traz nada de novo ao gênero ou seu próprio universo, mas é uma publicação que pode ser lida sem conhecer sua “bagagem” principal.

Nota:

4/5

Obs.: sim, vou começar a postar resenhas aqui. Afinal, de que adianta colecionar seus livros se não puder recomendá-los?

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