Resenha: Asimov – O Melhor da Ficção Científica

asimov_o_melhor_de_scifiTítulo Original:

Asimov’s Choice: Extraterrestrials & Eclipses, 1950.

Conteúdo:

1) Relações Públicas;
2) O Grande Anel de Netuno;
3) Mas Será que Eles Cavalgam Golfinhos?;
4) Uma Recusa a Mais;
5) A Linha… Linha… Linha Derradeira de Fragger;
6) Quando Descemos;
7) A Caminho;
8) A Orquestra de Danças do Titanic;
9) História de Advertência;
10) Carruagem Sem Cavalo;
11) Mensagem para Mim Mesmo;
12) O Suicídio do Homem.

Opinião:

Esta coletânea possui um prefácio muito interessante escrito pelo próprio Asimov: como utilizar o humor de forma “correta” e qual é o botão que o liga/desliga. Se não me engano, ele fala sobre isso também em sua outra coletânea mais famosa “O Futuro Começou”.

No entanto, apesar de a maioria das histórias serem muito boas, não consegui captar muito bem o estilo de humor dos escolhidos. Deve ser porque estou mal acostumado com Douglas Adams. Engraçado que Adams usa indiretamente uma de suas regras: para a piada ser engraçada, deve-se gerar um estímulo intelectual ao final do texto, algo completamente contrário a ideia transmitida nas primeiras linhas.

Bem, vamos aos contos. Como podem ver, são de vários autores escolhidos. Não irei me aprofundar em muitos detalhes, visto que não são contos propriamente ditos do autor.

1) Este foi o conto mais humorístico da lista. É uma história nonsense de uma repórter que se recusa a realizar uma entrevista exclusiva com um alienígena que pretende dominar a Terra. Mas antes ele precisa avisar o planeta através dos jornais.

2) Juro que não entendi este conto. Parece mais um exercício de matemática misturado com sci-fi. Para professores é uma boa experiência lúdica. Cosmonautas tentam calcular o raio dos anéis de Netuno sem possuir certos dados.

3) Este conto é muito bom, porém falha um pouco no desenvolvimento. Em um futuro indefinido foi criada uma raça chamada Homo Aquaticus, necessitando de uma mãe humana para realizar a gestação. A história gira em torno do sentimento materno superando barreiras físicas e anatômicas. No entanto, é bem pouco explorado o contexto dos golfinhos-humanos.

4) Este é divertido por ser um pouco surreal e utilizar a metalingüística. Uma senhora envia uma carta ao editor da coletânea, que a responde, e assim ocorre sucessivamente até que no final temos uma piada interna que sugere outra linha temporal (e uma pequena homenagem a outro grande escritor do período).

5) Este conto começa bem confuso, mas depois você começa a entendê-lo e nota que o enredo gira em torno do famoso paradoxo do avô, um pouco desvirtuado. O final é interessante, mas tão confuso quanto o início.

6) Este foi uma grata surpresa. Começa meio descompromissado, mas depois se transforma em um enredo poderoso, onde envolve preconceito contra a raça de biomecânicos e como os humanos os encaram. São humanos-máquinas, que utilizam seus neurônios e partes do corpo para pilotarem as naves espaciais. Lembrou-me muito o desenho Transformers, utilizando um conceito bem inédito para a época. Pena que o final deixa aquela sensação de “já acabou?”.

7) Outro que não compreendi a ideia principal. Existem superseres que criavam humanos, como brinquedos ou mesmo amigos. Os devaneios do personagem principal encobrem e tornam nebuloso o conto. Não entendi o final.

8) Uma história inusitada sobre universos paralelos. O nome faz apenas referência ao famoso transatlântico, sem citá-lo durante o texto. O final inconclusivo decepcionou um pouco. Mas é bem criativo ao abordar de forma diferente as famosas histórias de pescador.

9) Um conto curto que explora um diálogo entre seres diferentes, sobre seus conceitos de busca pela fonte da juventude. A recusa final faz pensar.

10) Um vendedor de bugigangas tecnológicas encontra um jeito mais eficiente de vender seus produtos e, no final das contas, ficamos em dúvida tanto quanto ele a respeito da existência de certas tecnologias. Divertido.

11) Outro texto um pouco difícil de definir. Entendi que se trata de uma consciência recuperada, como se fosse um registro encontrado em uma nave, mas que não deseja morrer pela segunda vez. Confuso.

12) Este conto é muito bom. Começa com uma simples história de fantasma (que logo entendemos que não se trata disso) e minutos depois somos jogados a milhões de anos no futuro. As questões levantadas sobre a existência humana são bem curiosas. Apesar de o próprio texto mencionar no início que o final é feliz, achei bem anticlimático.

Veredicto:

Este livro serve apenas como experiência para novos escritores entenderem o estilo de linguagem escolhido pelos editores. Só não entendi muito a linha editorial; o objetivo era o humor, mas poucos textos o fazem. Não deixa de ter seu mérito. Mas é fraco.

Nota:

2/5

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