Resenha: O Vento Solar

arthur_clarke_o_vento_solarTítulo Original:

The Wind from the Sun, 1973 (PT-BR).

Conteúdo:

1) O alimento dos deuses;
2) Maelstrom II;
3) Os luminosos;
4) O vento solar;
5) O segredo;
6) O último comando;
7) Frankenstein no telefone;
8) Reunião;
9) Playback;
10) A luz das trevas;
11) A mais longa estória de ficção científica que já foi contada;
12) Herbert George Morley Robert Wells, Esq.
13) Amar esse universo;
14) Cruzada;
15) O céu impiedoso;
16) Maré neutrônica;
17) Passagem da Terra;
18) Encontro com Medusa.

Opinião:

Um livro muito sólido em sua edição, bem balanceado. Mas, se eu fosse o editor, cortaria umas três histórias bem ruinzinhas. Porém, a viagem aos seus mundos vale cada minuto gasto. Dá gosto imaginar cada uma de suas descrições, com respeito a maquinários ou paisagens exóticas. Vou tentar ser breve e comentar a fundo somente os que realmente me surpreenderam, afinal, são 18 contos. O livro contém um breve prefácio escrito pelo próprio autor, apenas detalhando a época em que foram publicados.

1) Micro conto que começa bem, atinge o pico e acaba de repente, com um final inesperado. Depois que sua mente dá mil voltas ao entender o final, o texto muda completamente.

2) Um conto bem fundamentado sobre um resgate de um módulo que se perde entre a Terra e a Lua. O tom intimista é bem diferente do comum, o autor fez questão de internalizar os eventos. Vemos quase tudo sobre a ótica do piloto.

3) Outro raríssimo conto que se passa debaixo d’água (muito antes do filme O Segredo do Abismo). A tensão entre dois países serve apenas para distrair o leitor do verdadeiro vilão que “ataca” a hidrelétrica. Há inclusive um jornalista, bem engraçado, decidido a resolver o mistério.

4) Um texto curioso. Se fosse propaganda da Nike ou Pepsi, seria perfeito. Raríssimo texto em que o autor consegue reunir um esporte à ficção científica. Pena que o final deixa um pouco a desejar. No entanto, a palavra ‘solar’ está ali por um motivo.

5) Texto de FC clássico que me fez pensar se realmente viveríamos mais em outros planetas e nos tornaríamos pragas ao ecossistema (bem, isso a gente já faz).

6) Outro micro conto que revela o medo quase inconsciente de uma guerra nuclear na época em que foi escrito.

7) Texto muito inteligente que antecipa a internet e call centers. As comparações humano/máquina chegam a ser poéticas.

8) Mais um micro conto que revela um lado diferente do autor. Não entendi muito bem. O final é bem legal, mas meio preconceituoso.

9) Não compreendi muito bem o que ele quis passar ao leitor com este texto. Mexe de leve com a metafísica, mas é meio sem noção.

10) O conto mais “terrestre” da coletânea. E também o que menos utiliza maquinários fantásticos. Gostei do inusitado – o cenário de uma crise política na África. Envolve queda de governos e conspirações.

11) Curtíssimo conto metalingüístico. Foi a partir deste texto que comecei a escrever meus mini contos sequenciais (a mais curta história de ficção científica). Está aí minha inspiração.

12) Outro texto curioso. Fiquei em dúvida por que motivos acrescentaram este texto, mas o final faz pensar.

13) Texto irônico e levemente ‘bíblico’.

14) “Era um mundo que jamais conhecera o Sol.” O que esperar de um texto que já começa assim? Pena que é muito curto. Desenvolve a descoberta da humanidade por inteligências coletivas quânticas/computacionais.

15) Outro conto bem terrestre, situado no Everest. Mas apenas a máquina inventada traz os elementos comuns de FC. O resto da história descreve o dia a dia de um grupo de exploradores que se perde no famoso monte, utilizando esta nova tecnologia.

16) Mini conto que serve mais como uma piada (sem sentido em português). Desnecessário.

17) Texto poético e intimista sobre a improvável conjunção dos planetas. Novamente temos a narrativa do ponto de vista do navegador, que deverá pagar um alto preço a fim de registrar este raro fenômeno cósmico. Serve como um bom aperitivo antes do prato principal…

18) O que dizer de uma história que ganhou o prêmio Nebula? Começa de forma simples, em um futuro próximo (levemente steampunk, devido aos dirigíveis) e, em um “soco”, o enredo passa para uma exploração completa do interior do planeta Júpiter, com suas extravagantes tempestades atmosféricas, postos avançados de comunicação e “alguma coisa” a mais. Não se preocupem! Não vou estragar a(s) surpresa(s). Você quer saber o que significa a expressão “sense of wonder”? Leia!

Veredicto:

Analisar coletâneas de Arthur Charles (sabia?) Clarke sempre é difícil. Ele é mais “pé no chão” que outros autores, mas em contrapartida, consegue atingir o “senso do maravilhoso” de uma forma que pouquíssimos autores da era dourada conseguem.

Esta é uma ótima coletânea. No entanto, oscila bastante entre contos sensacionais, medianos e um ou dois ruins. Sábio de sua parte fechar com chave de ouro: Encontro com Medusa sem dúvida é o melhor texto deste livro. Diria que vale a busca em sebos somente por esta história.

Nota:

4/5

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