Resenha: As Fontes do Paraíso

the_fountains_of_paradiseTítulo Original:

The Fountains of Paradise, 1979 e 1980 (PT-BR). 260pgs.

Conteúdo:

I – Palácio

1. Kalidasa
2. O engenheiro
3. As fontes
4. Rochedo
5. Através do telescópio
6. O artista
7. O palácio do rei-deus
8. Malgara
9. Filamento
10. A Ponte Suprema
11. A princesa silenciosa

II – O templo

12. Sideronauta
13. Sombra na alvorada
14. A educação de Sideronauta
15. Bodhidharma
16. Conversas com Sideronauta
17. Parakarma
18. As borboletas de ouro
19. Às margens do lago Saladino
20. A ponte que bailava
21. Julgamento

III – O sino

22. Apóstata
23. Trator cósmico
24. O dedo de Deus
25. Roleta orbital
26. A véspera do Vesak à noite
27. Estação Ashoka
28. Primeira descida
29. Aproximação final
30. As legiões do rei
31. Êxodo

IV – A torre

32. O expresso do espaço
33. ACOR
34. Vertigem
35. Sideronauta, oitenta anos depois
36. O céu cruel
37. O diamante de um bilhão de toneladas

V – Ascensão

38. Um lugar de tempestades silenciosas
39. O Sol ferido
40. Fim da linha
41. Meteoro
42. Morte em órbita
43. Sistema de proteção
44. Uma caverna no céu
45. O homem talhado para a missão
46. A Aranha
47. Além da aurora
48. Noite em Villa Yakkagak
49. Uma viagem aos solavancos
50. Os pirilampos cadentes
51. Na varanda
52. O outro passageiro
53. Esgotamento
54. Teoria da relatividade
55. Acoplamento
56. Vista da sacada
57. A última alvorada
58. Epílogo: o triunfo de Kalidasa

Opinião:

Um livro bastante incomum, mas ao mesmo tempo interessantíssimo. Possui, pelo menos, quatro capas mais conhecidas. Essa americana, sem dúvida, é a que mais se relaciona com o texto.

Em um período onde a colonização inicial de Marte já é realidade, um engenheiro, na Terra, decide visitar uma cidade budista. O livro não especifica exatamente o local, mas pelas suas descrições (e um adendo do próprio autor) passamos a visualizar o exótico Sri Lanka sob o prisma de Clarke.

O início do livro é bastante arrastado, mas tem sua função: explicar como vivem aqueles monges fictícios e no que creem, bem como a história do imperador Kalidasa, nome que o livro mencionará até a última página.

Após mais ou menos 60 páginas, o tal engenheiro visita os famosos monumentos gigantes de mais de vinte metros de altura e acaba conhecendo o topo da maior montanha central da Terra (na época). Ali, em meio a quadros artísticos e descrição de cenários paradisíacos nas alturas, resolve testar uma de suas invenções: uma espécie de fio de nylon indestrutível. Conhecemos mais de sua história e entendemos que aquele engenheiro é especialista na construção de pontes suspensas.

Querendo deixar seu nome gravado na história, acaba por imaginar o que será o mote do livro dali em diante: a criação de um elevador espacial, saindo do topo daquela montanha e atingindo o espaço exterior. Aqui entram os conhecimentos práticos do autor, afinal, a Terra gira a uma velocidade absurda – o que esmigalharia um elevador desse porte ou o jogaria para a “vizinhança”.

Nesta parte o livro começa a render. Vemos a jornada do engenheiro tentando convencer os monges a deixar as tradições e lendas de lado e abraçar a tecnologia, pois a montanha onde Kalidasa fundou seu império é o lugar perfeito para a construção do futuro. Lemos também a discussão de aspectos técnicos e uma leve conspiração da mídia, bem como dos governos, tanto terrestre quanto marciano, com respeito à desapropriação de terras e interesses políticos.

No meio do livro presenciamos uma estranha incursão de uma sonda alienígena, a qual retornará apenas perto do final. Seu aparecimento tem um grande motivo e, sem estragar as surpresas, altera toda a história humana até aquele ponto. Este acontecimento não toma muito tempo e pareceu-me apenas um recurso literário conhecido como “Deus Ex”, pois este arco permanece inconclusivo, abrindo precedente para outra história (que não existe).

Os cenários, os monumentos e as construções são muito bem descritos. Passa-nos a vívida sensação de estar lá. E como os conceitos são realistas, a história é muito crível. Conseguimos sentir a vertigem dos personagens nas alturas.

Dizer mais seria estragar a experiência. Mas posso adiantar que o livro tem dois finais: uma ótima e instigante conclusão e um final comercial, fraquíssimo – interessante mesmo assim.

Veredicto:

Um livro de início arrastado contando a história de Kalidasa, um soberano das terras paradisíacas, e as crenças orientais (o que é um grande diferencial, pois dá a impressão de estarmos lendo um conto sobre príncipes persas misturado com ficção científica), mas que recompensa o leitor aplicado. Os capítulos são ágeis, curtos.

Após a introdução somos apresentados ao enredo propriamente dito, que prende a atenção desde seu conceito até o término da construção do elevador orbital. O primeiro final é inconclusivo, mas de certa forma esperado e nos leva a refletir. Deixa sua marca. O pós-final é que estraga um pouco, nota-se que pode ter sido culpa dos editores (“vamos fazer um final mais comercial”), mas com apenas duas folhas, pode ser desconsiderado.

O que talvez afaste algumas pessoas é o embate ciência/religião tratado no meio do livro, mas não podemos nos esquecer de que este livro é FICÇÃO científica e deve ser encarado como tal.

Nota:

4/5

Anúncios

Agradeço o comentário!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s