Resenha Dupla: 2010 e 3001 em 2015

Os livros da série Odisseia no Espaço, apesar de Clarke afirmar que não possuem ligação, são apreciados de forma mais satisfatória quando lidos na cronologia correta. Digo isso porque li primeiro o último e acabei invertendo a sequência, afinal, já havia assistido aos dois filmes: 2001 – Uma Odisseia no Espaço e 2010 – O ano em que faremos contato.

O que trago aqui são duas resenhas pessoais dos livros 2010 e 3001 que fazem parte de minha coleção. Não me aprofundarei tanto, porque tira toda a graça de quem lê pela primeira vez.

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2010 – Uma Odisseia no Espaço II

Título Original:

2010: Odyssey Two, 1983 (PT-BR)

Conteúdo:

I. Leonov

1. No Local de Encontro
2. A Casa dos Golfinhos
3. SAL 9000
4. Perfil da Missão
5. Leonov

II. Tsien

6. O Despertar
7. Tsien
8. O Trânsito de Júpiter
9. O Gelo do Grande Canal
10. Um Grito do Europa
11. Gelo e Vácuo

III. Discovery

12. Descida Vertiginosa
13. Os Mundos de Galileu
14. Duplo Encontro
15. Fugindo do Gigante
16. Linha Particular
17. Grupo de Abordagem
18. Salvamento
19. Operação Moinho de Vento
20. Guilhotina
21. Ressurreição

IV. Lagrange

22. O Grande Irmão
23. O Encontro
24. Reconhecimento
25. A Vista de Lagrange
26. Liberdade Condicional
27. Interlúdio: Confissões Francas
28. Frustração
29. Emersão

V. Um Filho das Estrelas

30. A Volta ao Lar
31. Disneyvila
32. A Fonte de Cristal
33. Betty
34. Despedida
35. Reabilitação
36. Fogo nas Profundezas
37. Rompimento
38. Paisagem de Espuma
39. Na Sala das Cápsulas
40. “Daisy, Daisy…”
41. O Turno da Meia-Noite

VI. Devorador de Mundos

42. O Fantasma na Máquina
43. Experiência com o Pensamento
44. Truque de Desaparecimento
45. Manobra de Fuga
46. Contagem Regressiva
47. Tangenciamento Derradeiro
48. Sobrevoando a Face Noturna
49- Devorador de Mundos

VII. O Nascimento

50. Adeus a Júpiter
51. O Grande Jogo
52. Ignição
53. Um Presente de Mundos
54. Entre Sóis
55. O Nascimento

Epílogo: 20.001

Opinião:

O autor já começa o livro com a seguinte frase: “A verdade, como sempre, será muito mais estranha”. Eu já tinha visto o filme 2010, então fiquei inconscientemente fazendo comparações, o que tirou um pouco do brilho, mas não todo.

A história parte da premissa deixada no vácuo do livro/filme anterior. O que teria acontecido à missão original? Afinal, na Terra, ninguém sabia sobre a viagem psicodélica que resultou na metamorfose da David Bowman (o livro explica em detalhes o que ele se tornou). O comportamento errático da nave somado com o advento da descoberta do Grande Irmão, ou AMT-1, leva à organização de uma nova expedição.

No filme há uma clara disputa entre os russos e americanos para ver quem chega primeiro ao objeto, enquanto no livro isso não fica muito claro, cabendo aos chineses realizarem uma proeza no espaço que resulta em um dos relatos mais interessantes de resgate espacial.

A história demora um pouco a engrenar, mas quando a viagem propriamente dita começa, torna-se impossível parar de ler. O resgate da nave, o resgate de HAL, as descrições da ambientação de Júpiter, o resgate na lua de Europa e a descoberta de que há vida nesse planeta, torna tudo fascinante. Fora os comportamentos adversos do monolito gigante (que tem o tamanho da Lua, segundo o livro).

Não se preocupem, a maior surpresa vem no final. E essa eu não conto, a menos que você já tenha visto o filme. É um bom filme dos anos 80, não tão icônico quanto o primeiro, mas competente e mais ágil.

Veredicto:

Um ótimo livro de FC Hard. Como Clarke toma o cuidado de deixar seus livros o mais “pé no chão” possível, a suspensão de descrença é imediata. Até a tecnologia alienígena torna-se plausível com suas explicações. O início é arrastado, mas compensa. Termino dizendo que o sistema solar nunca mais será o mesmo após o final deste livro.

Nota: 3/5

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capa30013001 – A Odisseia Final

Título Original:

3001: The Final Odyssey, 1997 (PT-BR)

Conteúdo:

Prólogo : os primogênitos

I. Cidade estelar

1. Laçador de cometas
2. Despertar
3. Reabilitação
4. Uma sala com vista
5. Instrução
6. A touca cerebral
7. Relatório de viagem
8. Retorno a olduvai
9. A terra celeste
10. Homenagem a ícaro
11. Entram os dragões
12. Frustração
13. Um estranho numa época estranha

II. Goliath

14. Adeus à Terra
15. O trânsito de Vênus
16. A mesa do comandante

III. Os mundos de Galileu

17. Ganimedes
18. Grande hotel
19. A loucura da humanidade
20. Apóstata
21. Quarentena
22. Aventura

IV. O reino do enxofre

23. Falcon
24. Escapada
25. Fogo nas profundezas
26. Tsienville
27. Gelo e vácuo
28. O pequeno alvorecer
29. Os fantasmas da máquina
30. Paisagem de espuma
31. Berçário

V. Encerramento

32. Um cavalheiro ocioso
33. Contato
34. Julgamento
35. Conselho de guerra
36. Câmara dos horrores
37. Operação dâmocles
38. Ataque preventivo
39. O deícidio
40. Meia-noite: pico

Epílogo

Opinião:

Se spoiler reverso existe, Clarke foi o primeiro a utilizá-lo. De imediato, nas três primeiras folhas, descobrimos quem construiu os monolitos, quem são, qual é seu comportamento e o que se tornaram (mas não fica bem claro onde estão). O soco no estômago nos leva a exclamar “como assim?” e formular a próxima pergunta “então, o que aconteceu?”.

É essa pergunta que nos leva à quase mil anos no futuro. No livro anterior, um astronauta importante é dado como morto depois de ter uma “conversinha” com o retângulo de quatro dimensões e permanece vagando pelo espaço infinito. Seu corpo é resgatado pela nova geração, sendo reanimado logo em seguida – pois praticamente esteve em criogenia.

A primeira parte se resume à reabilitação dessa pessoa, enquanto somos apresentados a um novo mundo orbital, onde a Terra passa a ser apenas uma espécie de zoológico. A humanidade realmente vive no espaço, em paz e com novos costumes, cercados por todas as tecnologias possíveis e improváveis (pense nos Jetsons).

Devido ao tempo, suas raízes estão se perdendo e muitos nem sabem o que é pisar em solo firme. Tanto que contratam um robô e uma especialista em história e línguas para compreender o sotaque do astronauta revivido.

Aqui somos apresentados a fatos e resumos históricos de eventos do livro anterior (por isso a importância de se ler em ordem), com novas descobertas devido a pontos de vista diferentes. E também traz mais dados sobre o primeiro monolito, encontrado pelos primatas.

No segundo capítulo, as coisas ficam mais interessantes quando ele decide ir até Júpiter e conhecer a colônia espacial de Ganimedes. Neste ponto ocorrem vários fenômenos e novo contato partindo diretamente do interior do monolito que está em Europa.

Devido à sua curiosidade e pelo conhecimento dos fatos antigos, ele resolve descer na famosa lua (isso, é claro, depois de sermos apresentados a vários outros registros do que aconteceu após 2010).

Dessa vez, a humanidade descobre as reais intenções dos criadores dos “pendrives” gigantes. E ao constatar que os eventos ocorridos a milhões de anos na Terra e há um milênio em Europa estão ocorrendo em uma galáxia próxima, fica evidente o destino final – mesmo que durem milhares de anos – o que nos remete ao início do livro e a frase “ah, agora entendi”.

A fim de evitar tal destino, a humanidade resolve recorrer às “soluções antigas”. Nesse ponto o monolito gigante reaparece e eclipsa completamente os céus, engolindo, por assim dizer, todo o quadrante. O plano é posto em prática, com ajuda inesperada de David Bowman em sua forma de sonda espacial etérea.

O que acontece em seguida? Bem, leia!

Veredicto:

Um belíssimo encerramento para uma saga tão complexa. O epílogo foi claramente adicionado a fim de escrever uma continuação, que nunca verá a luz do dia, infelizmente. Confesso que o final é meio anticlimático, mas faz você ficar pensando no que foi dito nas primeiras folhas. Ou seja, é um final fechado, mas ainda deixa aquele ar de “o que vão fazer agora?”.

Existiam planos de transformar o último livro em filme. Com a tecnologia atual, seria bem interessante.

Há ainda o livro 2061 que se passa entre estes dois, mas é um objeto tão raro de se encontrar (português) que um único exemplar a venda está com preço altíssimo. Conta o relato sobre uma nave que faz um pouso de emergência em Europa e passa a ser encarada como intrusa pelo monolito local. Dizem por aí que é um livro desnecessário, mas como os dois acima abordam superficialmente a questão do novo “planeta” e de seu futuro Sol, vale a pena procurar se você for fã, assim como eu.

Nota: 4/5

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