A Maldição da Viagem no Tempo

I. Passado

No início, até foi divertido.

Banquei o cupido, o advogado, o bom samaritano e o assessor financeiro. Não posso afirmar que não fiz coisas indevidas. Fiquei tentado a ganhar milhões com conhecimento antecipado, mas isso traria holofotes sobre mim, o que seria péssimo para os negócios. A grana veio, mas apenas o suficiente para que pudesse viver bem.

II. Presente

Hoje, já não penso assim.

Vivo isolado. Aliás, quanto tempo já se passou? Sei o que vai acontecer assim que puser meus pés na calçada. E o que vem, não é nada bom. Afinal, o universo sabe consertar seus próprios erros; e isso é suficiente para explicar como adquiri minha condição. A vida tornou-se enfadonha, encerrando de vez minhas peripécias – saber o futuro cria uma inércia aterrorizante. Não é divertido. Ponto final. O quê? Esperava uma solução definitiva? Eu também…

III. Futuro

O que um viajante do tempo poderia fazer para quebrar o ciclo?

Após muito tempo, decidi permitir que a vida prosseguisse. Afinal, como diria Dalai Lama, “Só existem dois dias no ano que nada pode ser feito. Um se chama ontem e o outro se chama amanhã”. Então, numa ensolarada quinta-feira qualquer, coloquei os pés sobre a calçada… Apenas para ser atingido por um ônibus escolar sem freios. Conforme previsto. “Mas como ele está relatando isso?”, você talvez se pergunte. A resposta é simples: decidi não sair mais de casa.

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