Um minuto…

… era o tempo necessário para que a exótica civilização alluriana atingisse o estágio da viagem interestelar. Um minuto, ou um milhão de anos, não fazia diferença para aquela raça atemporal. Sua ânsia por conhecimento, enfim, os levara a formular a pergunta que assombrava todas as espécies inteligentes, sem exceção. Quem, ao olhar para um céu recheado de infinitos pontos brilhantes, não se surpreenderia se a resposta fosse “não estamos sozinhos”? O clamor da galáxia vizinha indicava que, em breve, comprovariam essa tese.

Em pouco mais de “trinta segundos” ajustaram seus corpos de silício, transformando os apêndices em extensões de suas próprias naves orgânicas – amálgama necessário para quem desejava transpor as leis naturais do contínuo – e partiram. Uma vasta expedição, levando consigo o vislumbre de um primeiro contato, deixou o universo tangível.

Assim que finalmente conseguiram transpor a malha temporal, num período de “dois minutos e cinquenta e quatro segundos”, puderam, por fim, compreender a origem da exuberante lamúria, ouvida eras atrás… Uma supernova faminta se alimentava de sua própria cria.

Estavam adiantados.

Mas relativamente atrasados sob o ponto de vista das criaturas que, anteriormente, habitavam aquele sistema solar único e buscavam, com afinco, a mesma resposta. Teriam sobrevivido, de alguma forma? No horizonte, a galáxia em espiral os lembrava o quão longe estavam de casa.

O rugido da fera os despertou. Voltaram imediatamente, pelo mesmo caminho.

Os allurianos residentes notaram a perturbação celeste. Milhares de naves orgânicas surgiram nos céus cansados de Andrômeda, respondendo, de forma categórica, sua própria pergunta – para o espanto de todos… Acima, os recém-chegados da Via Láctea. Abaixo, uma nova geração após 2,54 milhões de anos.

Relatividade. Um conceito que aprenderiam facilmente se não estivessem atrasados em “um minuto”. Aquilo os levou a formular a segunda pergunta que mais assombrava as espécies inteligentes, sem exceção: “de onde viemos?”.

A resposta viria em algum momento futuro, quando as duas galáxias, recheadas de conhecimento primordial, enfim, colidissem. Então compreenderiam que, a verdade, esse tempo todo, se encontrava dentro deles mesmos.

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