… E percebeu que a vida possui um estranho senso de humor, assim como o telemarketing

A exótica borboleta laranja flutuava suavemente pela via expressa, contornando as lufadas de ar primaveril. Miranda notou quando a pobre criatura, ao se chocar contra o vidro do carro, estremeceu. Ao olhar pelo retrovisor, sentiu pena. Tão bela, tão colorida, tão frágil. Começar o dia atropelando um inseto que admirava não estava em seus planos.

Mas as horas, assim como previa, passaram rapidamente. E a imagem vívida desapareceu no tecer das malhas do tempo.

Chegando em casa, iniciou seu ritual diário. Desligou o automóvel, desceu, procurou a chave do portão – precisava investir numa versão eletrônica daquela gerigonça – e o empurrou com força. Ao entrar na garagem e descer o vidro do carro, parou diante da cena incomum. Foi com espanto e admiração que observou um vulto laranja atravessar a janela e ganhar impulso em direção às nuvens, carregando sonhos e lembranças de uma infância distante – estava viva!

De consciência mais leve, permitiu-se sorrir. Não haveria furacões no outro lado do mundo, como diriam os teóricos. De caos já bastava o trânsito. Se pisar numa borboleta causava desastres naturais em terras distantes, o que aconteceria ao salvá-la?

O celular tocou de repente. Em dúvida, e assustada com seus próprios pensamentos, atendeu…

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